Quer seja profissionalmente, ou a nível pessoal, já sentiu que houve momentos que as decisões, ou conversas, correram de feição, e noutros momentos sentiu que mais valia não ter avançado?
Seguramente que sim. E isto tem a sua razão, existe uma explicação científica para isso. Eu própria, só muito recentemente tomei conhecimento desta forma de atuar, e por isso, tenho estado a adaptar as minhas decisões, de acordo com os resultados obtidos, ou seja, como já conheço o meu ritmo, adapto decisões, criatividade e muito mais, de acordo com o meu “timing perfeito”. Pronto para se conhecer melhor? Vamos a isso.
O Daniel H. Pink é autor de livros sobre trabalho, gestão, e ciência comportamental, e foi quem converteu os estudos efetuados por diversas entidades, num processo claro e eficaz para que cada um consiga saber qual o nosso “timing perfeito”.
No seu livro “Quando: Os segredos científicos do timing perfeito/When, the cientific secrets of the perfect timing”, o autor resume estudos que foram efetuados em diversas faculdades dos EUA, onde se consegue mostrar a razão pela qual os estudantes tiram melhores resultados em exames, quando efetuados no período da manhã; ou porque é que devemos evitar tomar grandes decisões no período tarde; ou ainda quando é que devemos fazer pausas para restaurar a nossa energia.
Aqui estão três lições sobre o tempo que o ajudarão a estruturar sua vida:
- As nossas emoções percorrem o mesmo ciclo todos os dias.
- Saber como funciona o seu ciclo irá ajudá-lo a fazer o seu melhor no trabalho.
- Fazer uma pausa (ou até uma sesta) à tarde não é contraproducente, e pode até ajudá-lo a economizar tempo.
Recomendo vivamente a leitura do livro, mas vou tentar resumir um pouco o conteúdo do mesmo. E o que retive do mesmo.

Todos temos um padrão emocional, vivido diariamente.
Quando se pede para dividir o dia em três partes, o padrão usual é: manhã, tarde e noite. E por milhares de anos temos vivido este padrão. Mas quando se pede para escrever qual a emoção dominante para cada uma dessas partes, durante uma semana, encontramos um padrão mais útil. Foi o que um estudo Universidade de Cornell, encontrou, após analisar 500 milhões de tweets:
Pico da manhã. Seja logo depois de acordar ou de 1 a 2 horas depois, a maioria das pessoas sente-se muito bem no início do dia.
Quebra da tarde. Sabemos como é difícil ficar acordado depois do almoço, pois há uma explicação.
Ressalte noturno. Quando se termina o trabalho, até os dias mais difíceis mudam, não?
Independentemente da idade, raça, sexo e nacionalidade, todos nós passamos por alguma variante desse padrão, diariamente. Conhecer este processo, e conhecer as implicações sobre como devemos agir no nosso dia-a-dia, é um conhecimento poderoso, assim como é um bom padrão estar ciente de como lidar com suas emoções com mais eficiência.
Descubra o seu “timing perfeito” para produzir melhor.
Mantendo o nosso ciclo emocional diário em mente, podemos aprender ainda mais sobre nós mesmos se o combinarmos com algo mais familiar: o nosso ritmo circadiano. Com o passar do tempo, naturalmente percebemos q nossos quais são os nossos momentos altos e baixos ao longo do dia. “Eu não consigo me levantar antes das 7”, “Eu sou uma coruja da noite” e “Adoro acordar cedo” são as frases que todos nós já dissemos ou ouvimos antes.
E todas as pessoas têm a sua importância, a sua mais valia, e não devemos tecer juízos de valor.
Embora seja fácil descartá-los como pessoas que não estão acostumadas a certos comportamentos, a ciência diz que há alguma verdade em todos eles. De acordo como o livro que aqui atrás referi, conforme o seu ciclo de sono, podemos agrupamos as pessoas em 3 categorias:
- As cotovias: pessoas (como eu) que adoram acordar cedo; têm os altos e baixos emocionais algumas horas antes da maioria das pessoas (14% da população)
- As corujas. Não gostam de acordar cedo e só conseguem produzir depois das 9 da noite. (21% da população)
- Os terceiros pássaros. A maioria das pessoas, que não estão atrasadas nem adiantadas, apenas seguem um padrão. (65% da população)
Para as pessoas que estão na última categoria, esta informação significa que devem fazer um trabalho analítico e lógico no período da manhã, quando estão mais alertas. As tarefas mais criativas, onde é útil que a mente esteja disponível, devem ser reservadas para o final da tarde. As cotovias devem fazer o mesmo 1 a 2horas antes, enquanto as corujas podem querer fazer um trabalho cognitivo tarde na noite. São pequenos exemplos, e no livro existe uma organização mais profunda que deve estudar para começar a orientar melhor o seu dia.
Pausas regulares e “power naps” ajudam a economizar tempo, não a perdê-lo.
A conscientização do público sobre a saúde aumentou dramaticamente nos últimos anos, de modo que a visão de que as quebras são uma perda de tempo é em grande parte desatualizada, embora ainda predominante em algumas empresas e instituições. A ciência por trás de quanto devemos trabalhar e quanto devemos relaxar é surpreendentemente muito a favor do relaxamento.
Segundo o estudo da DeskTime que usou milhões de pontos de dados de seu software, determinou-se que a pausa ideal deverá acontecer durante 17 minutos para cada 52 minutos de trabalho. Isso é uma hora de inatividade para cada três horas que se trabalha! Embora seja fácil pensar que não há como isso levar a melhores resultados, eles descobriram que a qualidade do trabalho acabou sendo mais alta em geral, em comparação com intervalos mais curtos ou menos frequentes.
Mas mesmo que não lhe seja fácil implementar esta opção dos 17 minutos, deve implementar a pausa dos 5 minutos por cada hora, devendo levantar-se, movimentar-se, tomar um pouco de ar fresco e beber um copo de água. Estas pausas podem fazer uma diferença significativa na sua produtividade. Se puder implementar o “power nap” (a vulgar sesta) esta deve acontecer idealmente, depois do almoço, e deve tomar café antes. Ajuste o despertador para 20 minutos depois. Crê-se que levamos sete minutos para adormecer, e ao acordar vai-se sentir totalmente revigorado e nessa altura a cafeína entrando em ação. (25 minutos para a cafeina entrar em ação, numa pessoa comum).
Quando existe uma maior consciência dos nossos “timings perfeitos” conseguimos canalizar as forças para estes momentos, obtendo resultados muito mais produtivos e o caminho para o sucesso é muito mais fácil.


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