Começamos pela sua definição: Procrastinar é o diferimento ou adiamento de uma ação.
Todos nós, uns mais que outros, mas todos nós temos momentos em que adiamos decisões e/ou ações. Uns conseguem inverter a situação e conseguir ultrapassar essas fases; outros, infelizmente, vão adiando e adiando, e o procrastinar torna-se parte integrante do seu dia-a-dia em tudo o que os rodeia.
As raízes dessas causas nem sempre são obvias. Há muita literatura que sugerem fatores tão diversos como: falta de autoestima, falta de capacidade de toma de decisões, mas em todos os estudos que li, os fatores estão todos relacionados com questões psicológicas.
Sabemos que para a pessoa que está a procrastinar, que o faça consciente ou inconscientemente, adiar resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com as suas responsabilidades e compromissos.
A procrastinação pode ser considerada normal, muitas vezes adiamos tomar uma decisão, e a solução apresenta-se por si, uns dias depois, mas quando procrastinar impede o normal funcionamento das suas situações, aí sim, torna-se um problema.
Muitos profissionais adiam mudanças de trabalho; conversas com as suas equipas de gestão, ou com a sua equipa de trabalho; evitam assumir que para progredir têm que apostar em formação (são alguns exemplos que fui encontrando ao longo da minha longa carreira) porque os fazem sentir mais confortáveis. Não saem da sua zona de conforto. Mas, o mundo está em constante evolução. E conseguir dar o passo seguinte é um acionar de uma alegria incomparável.
Vamos tentar descrever alguns aspetos que estão associados com «procrastinar», e veja se consegue se identificar com algum (ou alguns) dele(s):
– Dificuldade em gerir as suas emoções: Para um procrastinador, adiar decisões a curto prazo cria, no seu estado de espírito, uma sessão de resolução do problema, e assim evita assumir responsabilidades a longo tempo. Este adiar cria uma sessão de satisfação momentânea, ilusória.
– Os seus familiares/pais eram muito rígidos, na sua infância: Quem teve pais que primavam pela obediência a todo custo, podem ser procrastinadores, podendo-se identificar o adiar como um ato de rebeldia tardia, como estando agora no seu controlo, algo que nunca lhes foi permitido.
– Não praticar a autocompaixão: um procrastinador é, por norma, uma pessoa mais ansiosa. E não praticar a autocompaixão pode levar e aumentar o facto de adiar. Pessoas que pensam: “são tão pouco inteligente que não vejo benefícios em continuar a estudar, por isso, vou manter-me a passear no Facebook”. Ao contrário, quem é capaz de ser generoso para si mesmo, em temos de dificuldades, vai conseguir controlar as suas emoções e por isso tomar as decisões no momento que são necessárias ser tomadas.
– Sentir desconexão com o seu futuro “eu”: não estar conectado com o seu eu futuro, não vai conseguir estabelecer planos. Fará com que pare de estudar, de evoluir, de crescer enquanto pessoa, pois não é capaz de se ver num futuro.
Todos estes aspetos estão relacionados com o controlo emocional que cada um têm e da capacidade que têm de reagir.
Sim, é possível melhorar e corrigir o procrastinar. Como? Vamos a algumas sugestões (ações que podem ser implementadas individual ou coletivamente):
– Facilite o seu eu de amanhã: Da próxima vez que estiver perante uma tomada de decisão, e com tendência a adiar, pergunte-se: “qual seria a decisão que iria tomar se eu o quisesse fazer, mesmo sabendo que não o vou fazer?” Se conseguiu identificar a decisão, ponha-a em prática de imediato.
– Regra dos 2 minutos (R2M): Converter tudo em ações de 2 minutos. Exemplos: Ler antes de dormir; em R2M seria: Ler uma página. Ao converter o que tendencialmente adiamos, em ações de 2 minutos, estamos a dominar a procrastinação.
– Dominar o medo do fracasso: O perfeccionismo e a procrastinação estão ligados. Por isso, descomplique. Se não fizer não terá oportunidade de evoluir.
– Comece o dia com as tarefas mais difíceis: tudo o que for mais difícil de implementar, de concretizar, de decidir, canalize-as para o período da manhã.
– Remova distrações: identifique as distrações que existem em seu redor (físicas ou emocionais) e invista na sua capacidade de resolução.
– A mais importante – Premie-se, prometa uma recompensa a si mesmo, quando conseguir tomar a decisão, finalizar a tarefa, concluir o projeto, cumprir o prazo.
Procrastinar não é mau desde que, como tudo, seja utilizada com peso e medida e não o prejudique ou inviabilize de seguir em frente.
Se precisa de avançar profissionalmente, se quer melhorar as suas competências, não deixe para amanhã. Construa o seu plano, hoje, agora, e avance sem medos. Esta é a minhaopinião, eu que, em 30 anos de carreira, passei por mais de 25 projetos profissionais, e que durante toda a minha existência, nos momentos cruciais, procrastinar não foi a minha escolha.


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